Anvisa identifica insumos irregulares e risco de contaminação em canetas para obesidade manipuladas

Anvisa identifica insumos irregulares e risco de contaminação em canetas para obesidade manipuladas

Dr. Paulo Lara
Dr. Paulo Lara
16 Abril 2026
Anvisa identifica insumos irregulares e risco de contaminação em canetas para obesidade manipuladas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou falhas na fabricação de canetas para tratamento da obesidade manipuladas. Os problemas vão desde risco de contaminação até o uso de insumos irregulares, conforme exposto na reunião da diretoria colegiada realizada nesta quarta-feira, 15.

O dossiê produzido a partir da investigação dos problemas relacionados à comercialização do produto foi a base para que a Anvisa decidisse endurecer a fiscalização no último dia 6, a agência afirmou que iria implementar novas exigências. A pauta das mudanças deveria ser discutida nesta quarta, mas foi adiada para o dia 29.

De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a agência identificou problemas que “comprometem de forma direta a segurança do paciente”.

Atualmente, apenas a farmacêutica Eli Lilly tem autorização para comercializar a tirzepatida (sob o nome de Mounjaro) no Brasil, mas é permitida a manipulação por farmácias do ramo para casos específicos. Foi nessa cadeia de produção que a Anvisa identificou os seguintes riscos:

  • Problemas de esterilização e consequente risco de contaminação biológica;
  • Falhas na cadeia de armazenamento e transporte;
  • Ausência de controle adequado de cadeia fria e condições ambientais;
  • Uso de insumos irregulares, sem controle de qualidade e de origem desconhecida.

A agência também citou que os medicamentos manipulados muitas vezes são vendidos sem prescrição e que flagrou empresas com estoques, algo incompatível com a autorização de produção individualizada, e adotam estratégias de marketing para venda dos produtos. “(Isso) Contribui para banalização do uso desses medicamentos”, afirmou Safatle.

Para ele, o conjunto de achados “configura um cenário complexo de risco sanitário que demanda respostas regulatórias”.

Definição das novas regras

Além das questões relacionadas à manipulação, a Anvisa identificou problemas como importação e comercialização de produtos sem registro e falsificados.

“Esses fatores ampliam significativamente o risco de eventos adversos graves e dificultam a atuação preventiva e corretiva do sistema nacional de vigilância sanitária”, disse Safatle.

Fonte: Estadão 

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