A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou falhas na fabricação de canetas para tratamento da obesidade manipuladas. Os problemas vão desde risco de contaminação até o uso de insumos irregulares, conforme exposto na reunião da diretoria colegiada realizada nesta quarta-feira, 15.
O dossiê produzido a partir da investigação dos problemas relacionados à comercialização do produto foi a base para que a Anvisa decidisse endurecer a fiscalização no último dia 6, a agência afirmou que iria implementar novas exigências. A pauta das mudanças deveria ser discutida nesta quarta, mas foi adiada para o dia 29.
De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a agência identificou problemas que “comprometem de forma direta a segurança do paciente”.
Atualmente, apenas a farmacêutica Eli Lilly tem autorização para comercializar a tirzepatida (sob o nome de Mounjaro) no Brasil, mas é permitida a manipulação por farmácias do ramo para casos específicos. Foi nessa cadeia de produção que a Anvisa identificou os seguintes riscos:
- Problemas de esterilização e consequente risco de contaminação biológica;
- Falhas na cadeia de armazenamento e transporte;
- Ausência de controle adequado de cadeia fria e condições ambientais;
- Uso de insumos irregulares, sem controle de qualidade e de origem desconhecida.
A agência também citou que os medicamentos manipulados muitas vezes são vendidos sem prescrição e que flagrou empresas com estoques, algo incompatível com a autorização de produção individualizada, e adotam estratégias de marketing para venda dos produtos. “(Isso) Contribui para banalização do uso desses medicamentos”, afirmou Safatle.
Para ele, o conjunto de achados “configura um cenário complexo de risco sanitário que demanda respostas regulatórias”.
Definição das novas regras
Além das questões relacionadas à manipulação, a Anvisa identificou problemas como importação e comercialização de produtos sem registro e falsificados.
“Esses fatores ampliam significativamente o risco de eventos adversos graves e dificultam a atuação preventiva e corretiva do sistema nacional de vigilância sanitária”, disse Safatle.
Fonte: Estadão
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